“Entre o querer e o constrangimento”

22 de novembro de 2019 - 10:55:14. Última atualização: 27 de novembro de 2019 - 07:55:30

A sociedade grega do século V tinha como princípio a necessidade de uma mulher estar sempre submetida a um homem, sendo sua propriedade, por isso não podia ser mostrada para a sociedade. Diante disso, observa-se que a sociedade brasileira atual, apesar de ter mudado em muitos aspectos, ainda contém características semelhantes ao passado, visto que existe uma grande discussão em relação à amamentação em público. Esse debate acontece entre o direito de amamentação adquirido pelas mulheres, por ser essencial ao bebê, e o constrangimento materno, visto que é preciso expor uma parte do corpo feminino que é muito sexualizada, o que demonstra a falta de autonomia da mulher na sociedade, como acontecia na Grécia. Assim, compreende-se que o constrangimento, mesmo possuindo o direito, ocorre seja pela ausência de consciência da população, seja pela condenação da exposição corporal.

Diante dessa problemática, é indubitável que a população não tem consciência sobre a importância da amamentação para o desenvolvimento infantil, o que faz com que as pessoas julguem as mães que realizam essa prática em público. Segundo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, as ações humanas são um reflexo do conhecimento adquirido por eles. Seguindo esse pensamento, entende-se que os indivíduos que desaprovam o aleitamento materno e em locais públicos não recebem a educação necessária para conhecer seus benefícios para os bebês, como a passagem de anticorpos, o ganho de peso saudável e a criação de afeto entre a mão e o filho. Um exemplo disso é que a lei que permite a amamentação em público considera sua importância para melhorar a saúde das crianças, o que mostra que se as pessoas tivessem esse conhecimento, não haveria questionamentos sobre sua prática em público, pois os brasileiros teriam a mesma visão proposta pela legislação. Logo, o constrangimento materno é resultado das ações inapropriadas de pessoas que não possuem conhecimento sobre saúde.

Ademais, a mentalidade brasileira ainda condena a exposição do corpo de mulheres, que são estereotipadas como indivíduos que não podem se expor. Conforme Mill, o homem é soberano sobre seu corpo e sobre sua mente, isto é, o ser humano tem autonomia para utilizar seu corpo da forma como desejar. Nesse sentido, percebe-se que as pessoas não devem constranger as mães que expõem seus seios em público para amamentar, já que se trata dos seus corpos, o que faz com que elas tenham o direito de usá-los como quiserem, principalmente quando o seio é utilizado para sua função primordial de amamentar. Prova disso é que as dançarinas do carnaval expõem os corpos e são aprovados pela população, então não faz sentido condenar as mães que mostram os seios para amamentar, pois as mulheres não podem ser criticadas pelo seu comportamento em público. Sendo assim, como o aleitamento materno é legalizado, a sociedade precisa alterar sua mentalidade em relação ao corpo feminino.

Portanto, conclui-se que o direito de amamentar em público tem seu alcance comprometido pela visão brasileira de acreditar que as mulheres são objetos sexuais e pela ausência de conhecimento sobre a importância do aleitamento materno, o que implica constrangimento das mães. Como consequência, muitas mulheres deixam de amamentar seus filhos, prejudicando a saúde dos bebês, o que mostra que o Brasil precisa melhorar em muitos aspectos.

Aluna: Geovana de Paula Pereira

Série: 3ª série

Professora: Priscila Toneli

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