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REFLEXÃO SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DE ALBERT BANDURA PARA A EDUCAÇÃO POR MEIO DA TEORIA DA APRENDIZAGEM SOCIAL

 

César Fernandes dos Santos[i]

RESUMO

O objetivo do presente artigo é traçar um debate teórico sobre as contribuições de Albert Bandura para a educação por meio de sua teoria da aprendizagem social. A justificativa para a escolha do tema envolve a ampliação do conhecimento teórico e as possibilidades de oferecer informações aos públicos de interesse do tema. O método de pesquisa é de natureza qualitativa, com levantamento de dados por meio de pesquisa bibliográfica. Dentre as principais conclusões, foi possível observar que a teoria de Bandura contribuiu de forma significativa para os processos educacionais, uma vez que Bandura nos apresenta que o sujeito aprende observando comportamentos e as consequências que causam a quem os empreende. Nesse caso, defende que a aprendizagem de comportamentos se dará sem que reforços sejam necessários, ou seja, o sujeito aprenderá por meio da observação dos comportamentos de terceiros e das consequências que terão, sendo mais passíveis de reproduzir o comportamento caso as consequências observadas forem positivas.

Palavras-chave: Teoria da aprendizagem social. Albert Bandura. Comportamento. Cognitivo.

 

ABSTRACT

The aim of this article is to draw up a theoretical debate on the contributions of Albert Bandura to education through his theory of social learning. The justification for the choice of topic involves the expansion of theoretical knowledge and the possibilities of offering information to the public of interest of the theme. The research method is qualitative in nature, with data collection through bibliographic research. Among the main conclusions, it was possible to observe that Bandura's theory contributed significantly to the educational processes, since it hovers over the idea that the subject learns by observing behaviors and the consequences that they cause to those who undertake them. In this case, he argues that behavioral learning will take place without reinforcement being necessary, but rather, the subject will learn by observing the behaviors of others and the consequences they will have, being more likely to reproduce the behavior if the observed consequences are positive.

 

Keywords: Theory of social learning. Albert Bandura. Behavior. Cognitive.

 

 

1.      INTRODUÇÃO

Quando se avalia as principais interpretações relacionadas a natureza da aprendizagem, remete-se a um passado de cunho histórico-filosófico-psicológico que envolve diversas correntes de pensamento que são formuladas a fim de definir paradigmas educacionais, tais como o empirismo, inatismo ou o nativismo, os associacionistas, os teóricos de campo e os de processamento da informação ou psicologia cognitiva.

Sendo assim, tais correntes de pensamento passam a criar teorias de aprendizagem relacionadas às principais características do pensamento. Nessa pesquisa, o enfoque será especialmente sobre a teoria da aprendizagem social, que foi desenvolvida por Albert Bandura, um psicólogo cognitivo canadense que deixou de lado suas concepções behavioristas a fim de preencher lacunas que encontrava nela, por meio da criação de sua própria teoria da aprendizagem social.

Nessa corrente teórica, entende-se que o meio social em que o sujeito vive, forma parte de sua vida e influência de forma significativa o desenvolvimento humano. A família, escola, comunidade, são alguns dos diversos grupos sociais a que os sujeitos são submetidos ao longo da vida, conforme as determinadas etapas de desenvolvimento. Portanto, esses e outros meios contribuem de forma significativa para o desenvolvimento da aprendizagem.

Albert Bandura como propulsor da teoria da aprendizagem social, dedicou seus estudos ao comportamento humano em seu processo de inserção no contexto social. Os estudos do psicólogo valorizaram os processos cognitivos do sujeito, pois, em sua concepção, o ser humano não é total e exclusivamente influenciado pelo meio, já que suas reações e estímulos são auto ativadas.

Sendo assim, na teoria social cognitiva, entende-se que o ser humano não é um ser passivo e dominado pelas ações do ambiente, mas sim, é um ser ativo e influente em todos os processos que ocorrem nesse ambiente. Logo, o comportamento humano não precisa ser reforçado para que seja adquirido ou aprendido, mas o homem aprende e adquire experiências e comportamentos conforme observa as consequências que tais comportamentos causam dentro do ambiente em que vive, tal como as vivências das pessoas com quem convive.

Considerando essas premissas, o objetivo central desse artigo, paira sobre o debate conceitual da teoria da aprendizagem social de Albert Bandura, buscando compreender suas principais contribuições para a educação. Dessa forma, os objetivos específicos traçados para compor essa pesquisa, foram: conceituar as teorias da aprendizagem de forma geral; abordar sobre a teoria da aprendizagem social de Bandura; e, debater sobre as principais contribuições da teoria de Bandura para o campo da educação.

Sendo assim, o problema de pesquisa é: quais foram as principais contribuições de Albert Bandura para o campo da educação por meio de sua teoria da aprendizagem social? Como justificativa para a escolha do tema, entende-se que, para além da relevância acadêmica, a pesquisa em questão também intenciona servir como fonte de informações para o âmbito social, podendo oferecer dados relevantes para que os públicos de interesse envolvidos na área colham dados para notar a importância da abordagem e aplicabilidade do tema em estudo.

O presente artigo também tem a finalidade de fomentar conhecimento no pesquisador, além de seu leitor, que durante o desenvolvimento da pesquisa terá condições de desenvolver um pensamento reflexivo-crítico a fim de formar uma trajetória analítica do tema, culminando assim em sua conclusão apresentada como resultado preliminar deste estudo, podendo resultar em aprofundamentos, demais vertentes e debates acerca do assunto.

Sobre o método de pesquisa, conforme Köche (1997), pesquisar significa identificar uma dúvida que necessite de esclarecimento e, então, construir e executar o processo que apresenta sua solução. A pesquisa científica, conforme propõe Vergara (1997), pode ser categorizada segundo dois critérios básicos: quanto à finalidade do estudo e quanto aos meios de investigação. Seguindo a taxonomia proposta pela autora, tem-se a seguinte classificação:

Quanto a Finalidade: Esta pesquisa assumiu caráter exploratório-descritivo, pois como explicam Lakatos e Marconi (2006), teve como objetivo descrever completamente determinado fenômeno, realizando análises teóricas. A pesquisa exploratória encontra fundamentos na familiarização do pesquisador com o ambiente, fato ou fenômeno a ser estudado, além de figurar a etapa de descrição e caracterização das variáveis que se buscam conhecer (KOCHE, 1997).

Quanto aos métodos de investigação: O presente estudo empregou a pesquisa bibliográfica através de obras já existentes sobre o tema. Na concepção de Ferrari (1982), a pesquisa bibliográfica procura melhorar o próprio conhecimento. Isso significa contribuir, entender e explicar os fenômenos. Esta é uma etapa fundamental, pois informa que trabalhos já foram realizados a respeito do assunto bem como quais são as opiniões reinantes sobre o tema além de permitir o estabelecimento de um modelo de referencial teórico auxiliando o plano geral de pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 2006).

2.      DESENVOLVIMENTO

2.1    Teorias da aprendizagem: generalidades

Bessa (2008) explica que existem teorias da aprendizagem que correspondem a subsídios para auxiliar aos profissionais que atuam no cotidiano da educação. As teorias mais discutidas de aprendizagem, segundo a autora, são: Teoria Construtivista de Jean Piaget; Teoria sócio-histórico-cultural de Lev Vygotsky; Henri Wallon e a psicogênese da pessoa completa; Teorias da aprendizagem Maria Montessori e a aprendizagem exploratória; Emília Ferreiro e a aprendizagem da leitura e da escrita; Cèlestin Freinet e a aprendizagem natural; Teoria libertadora de Paulo Freire; Madalena Freire e a aprendizagem profissional; Jerome Bruner e a aprendizagem em espiral; David Ausubel e a aprendizagem significativa; Howard Gardner e a teoria das múltiplas inteligências; e Phillippe Perrenoud e a teoria das competências.

Queiroz (s/d) explica a abordagem do inatismo concebe que a prática pedagógica não resulta de circunstâncias contextualizadas, baseando em capacidades básicas do ser humano. Isto é, a personalidade, forma de pensar, hábitos, valores, reações emocionais e o comportamento que são inatos, de modo que o sujeito e seu destino já são pré-determinados. Tais eventos que acontecem posteriormente ao indivíduo nascer, são cruciais – ao menos importantes – para o desenvolvimento. A autora explica que a natureza consiste apenas em um hábito. Que significa que não existem hábitos adquiridos apenas pela força e não sufocam a natureza. Um exemplo são as plantas e seu hábito, que possui sua direção vertical perturbada.

Ostermann e Cavalcanti (2010) explicam o behaviorismo como, grosso modo, classificável em dois tipos: o metodológico e o radical. Primeiramente, o behaviorismo metodológico – ou comportamentalismo – fora criado por John B. Watson (1878-1958) e possui caráter empirista. Isto porque Watson acreditava que todo ser humano pode aprender a partir do ambiente onde se insere.

Nesta concepção ainda não existia a possibilidade de herança biológica ao nascer, isto é, nascia-se vazio do ponto de vista informativo. Neste período o behaviorismo surge então como uma oposição ao mentalismo europeu, o que ocorre porque: “Watson rejeitava os processos mentais como objeto de pesquisa - ele não considerava como passível ser objeto de estudo aquilo que não fosse consensualmente observável. A introspecção não poderia, segundo ele, ser aceita como prática científica” (OSTERMANN; CAVALCANTI, 2010, p. 6).

Finemann e Bootz (1995) explicam que a teoria construtivista desloca o centro de conhecimento de determinada fonte externa ao aprendiz para um local que reside em seu interior. A colaboração é essencial por conta da importância de reconhecer uma perspectiva única de cada estudante, no sentido de apoiar uma negociação social do significado. Assim, quando o aprendiz traça um diálogo, cada estudante se expõe a múltiplas óticas do ambiente, com profundo entendimento por meio da interação com os demais.

O ensino por competências precisa tomar como mote inicial o conceito de competências, que surge como algo que precisa ser mobilizado diante de situações reais, com vistas ao solucionar problemas cotidianos da vida.

Na abordagem dialógica de competência, a construção de significado pressupõe a transferência da aprendizagem baseada nos conteúdos para uma aprendizagem baseada na integração teoria-prática. É na reflexão e na teorização a partir das ações da prática profissional, preferencialmente realizadas em situações reais do trabalho, que estudantes e docentes constroem e desenvolvem capacidades. Orientar o processo ensino-aprendizagem por competência tem, por definição, um caráter prático e social. Os conteúdos passam a ser explorados considerando-se o significado a eles atribuído e sua consistência e funcionalidade para o enfrentamento de situações reais e complexas [...] (LIMA, 2005, p. 374).

Nesta ótica, é possível notar que o ensino por competências precisa ser efetivo diante das situações da vida real. De modo que esta metodologia de ensino reforça a ideia de que o autor mobiliza o conhecimento por meio da intervenção junto ao indivíduo, passa a solução de problemas, demonstrando argumentos para um conhecimento considerável acerca desta temática.

A essa pesquisa, contudo, a teoria de maior interesse é a teoria da aprendizagem social que foi criada por Albert Bandura, cujas considerações, em síntese, no sentido da aprendizagem, pairam sobre a possibilidade de compreender que um aprendiz é capaz de aceitar e internalizar um objetivo uma vez que tenha compreensão e habilidades para realiza-lo e, sendo assim, a teoria da autodeterminação passa a propor um subsídio para a competência, por meio de desafios positivos e feedback significativo, o que tornará mais fácil o ato de internalizar.

Bandura (2000; 2001) explica que o conceito de tal competência passa a ser notada pelo aluno e torna-se equivalente ao conceito de auto eficácia na teoria social cognitiva da auto regulação. Assim, o autor prossegue dizendo que a auto eficácia consiste em uma expectativa de que o sujeito é capaz de realizar uma tarefa, ou então de obter êxito em determinada atividade e, para que haja motivação, é preciso que o sujeito acredite que suas habilidades são adequadas para que resultados positivos sejam alcançados.

Ainda segundo Bandura (1994) a crença dos indivíduos acerca de sua própria eficácia pode ser desenvolvida por meio de quatro fontes de influência centrais que são: Experiências de obtenção de êxito, superação de obstáculos por meio de esforço empreendido de maneira constante; Observação de desempenho, experiência de êxito de outrem ou situação que se assemelhe à sua; Persuasão por meio de palavras de apoio, encorajamento e valorização de esforços empreendidos; e, Minimização de reações de estresse e alteração de como se encaram as reações físicas e emocionais de uma situação, evitando uma interpretação equivocada destas, tal como fazer relação entre tensão e cansaço, ou vulnerabilidade e baixo desempenho.

O autor expõe ainda que as necessidades de competência e laços precisam ser supridas em um contexto cujo controle é intenso, de modo que a internalização será tão somente no nível de introjeção. Assim, o sujeito apenas sentir-se-á autodeterminado quando as razões para sua ação ou escolha forem endossados por meio de uma reflexão. A teoria da aprendizagem social de Bandura será discutida com mais detalhes no tópico a seguir.

2.2    Teoria da aprendizagem social: Albert Bandura

Fonseca (2005) explica que Albert Bandura é um psicólogo canadense que segue a corrente cognitivo-social de abordagem. É docente em Stanford, na Califórnia, sendo influenciado pela corrente behaviorista de pensamento, da qual se desviou radicalmente, ressaltando a importância dos elementos cognitivos e sociais na aprendizagem, o que se tornou o enfoque de suas pesquisas. No presente, Bandura forma parte da chefia da corrente sociológica cognitiva na América do Norte.

Aguiar (1998) explica que a aprendizagem por imitação, viária ou observacional foi estudada de forma engenhosa por Bandura no final da década de 1960. O autor explica que Bandura dedicou-se, inicialmente, ao desenvolvimento de uma teoria da aprendizagem social com base em parte no modelo operante – entre 1977 e 1979. Posteriormente, partindo do conceito da aprendizagem observacional, meio em que são preponderantes as variáveis mediacionais, passou a propor a teoria social-cognitiva sobre a aprendizagem e desenvolvimento.

Segundo seu ponto de vista, todos os fenômenos de aprendizagem resultantes de experiências diretas, podem ocorrer numa base vicariante, através da observação de respostas de outras pessoas e de consequências que estas trazem para elas. Essas consequências das respostas podem ser examinadas em termos de recompensas e punições. Assim a imitação é facilitada quando o modelo, na presença do observador, é recompensado por algum comportamento e sustada quando o modelo é punido (AGUIAR, 1998, p. 64).

Figueiredo (s/d) explica que a teoria de Bandura faz parte das teorias de abordagem neocomportamental, cuja corrente de pensamento parte da ideia de que as mudanças de comportamento são observáveis, mas que envolvem-se no escopo de teorias os processamentos mentais internos. O autor comenta que Bandura é considerado o criador da psicologia social cognitiva, cujas pesquisas foram centralizadas na observação do comportamento humano em interações sociais.

Segundo o autor, Bandura não faz uso da introspecção, como fez Skinner, mas sim, ressalta o papel de reforço na aquisição e mudança do comportamento. Para além da vertente comportamental, o sistema teórico do autor considera também o elemento cognitivo. Isso porque sua teoria envolve as influências dos processos de pensamentos, crenças, expectativas e instruções para o programa de reforço. Sobre a concepção de Bandura, Figueiredo (s/d, p. 61) elucida:

Para ele, o homem não reage feito um robô às influências externas, as reações aos estímulos são auto ativadas. Quando um estímulo afeta o comportamento, o faz porque o sujeito sabe, devido às regras aprendidas em seu grupo social, o que é ou não passível de reforço, age conscientemente, antecipando as situações e os comportamentos sociais passíveis de serem reforçados.

Ainda conforme Figueiredo (s/d), Bandura acredita que, ao longo do processo de aprendizagem, o comportamento não necessariamente precisa ser reforçado de forma direta para que seja adquirido. Isso porque todo ser humano possui capacidade de aprendizagem por meio da observação das consequências ambientais que incidem sobre o comportamento de pessoas ao seu redor. Esse tipo de aprendizagem é denominado, na concepção de Bandura, de vicariante, enquanto que o reforço que a possibilita é denominado de vicário.

Isso significa que o comportamento pode ser adquirido mesmo na ausência do reforço, mesmo que o sujeito espere alcançar os mesmos tipos de reforço que os modelos observados. Posteriormente, não existe, para ele, conexão necessária entre um estímulo e uma resposta, ou entre um comportamento e um reforço, como propunha a teoria de Skinner. Ao invés disso, Bandura cria um sistema de mediação dos processos cognitivos do indivíduo. Portanto:

Bandura fez vários experimentos expondo crianças a desenhos violentos e não violentos. Observou que imediatamente após terem visto um desenho ou programa infantil violento, as crianças tendiam, em situação experimental, escolher brinquedos mais associados com atos de violência e a brincarem na mesma direção. A frequência desses comportamentos era significativamente superior quando comparados com grupos controle. Chamou atenção, assim, para os efeitos que a televisão pode ter na aquisição e exibição de comportamentos pelas pessoas (FIGUEIREDO, s/d, p. 61).

Oliveira (2011) comenta que a teoria da aprendizagem social de Bandura é marcada por considerar que as crianças aprendem comportamentos sociais por meio da observação e imitação de modelos. Se tornou uma teoria comportamental – ou neocomportamental – que o autor considera menos extrema do que a de Skinner, cuja reflexão e reforço se dão no impacto do interesse renovado por elementos cognitivos.

O autor também diferencia as teorias dos autores dizendo que a teoria da aprendizagem social considera o sujeito que aprende, como um ente ativo do processo, portanto, um sujeito capaz de atuar sobre o ambiente e, em certo ponto, criar o ambiente. Logo, comenta que a abordagem teórica de Bandura trata do estudo do comportamento no cerne de sua formação e a forma como se modifica perante situações sociais, isto é, em interação com outras pessoas.

Para isso, conforme Oliveira (2011), Bandura reconhece a importância da cognição, considerando as respostas cognitivas oferecidas às percepções, ao invés de considerar respostas meramente automáticas ao reforço ou punição, como centros para o desenvolvimento. Sobre a concepção teórica de Bandura, o autor explica que:

Essa imitação realizada pelas crianças no processo de aprendizagem depende do que elas percebem que é valorizado em sua cultura. Nem sempre o reforço está presente, e a criança pode aprender determinado tipo de comportamento na ausência de reforço diretamente vivenciado. Com isso, aprende-se pela observação do comportamento e das consequências deste comportamento de outra pessoa. Consequentemente, esta capacidade de aprender pelo exemplo supõe a aptidão de antecipar e avaliar consequências apenas observadas em outras pessoas e ainda não vivenciadas (OLIVEIRA, 2011, p. 19).

O autor comenta que as pesquisas de Bandura relacionadas à auto eficácia, fizeram emergir debates sobre uma forma como as pessoas enfrentam situações do cotidiano. Tal auto eficácia seria o sentido de autoestima ou do valor próprio de um indivíduo, bem como a sensação de adequação e eficiência no tratamento dos problemas da vida. Logo, nessa teoria, indivíduo com auto eficácia elevada, tendem a apresentar capacidade maior de lidar com os eventos de sua vida, esperando superar obstáculos e, como consequência, buscando desafios, perseverando e mantendo um nível elevado de autoconfiança em relação à sua aptidão para o êxito.

Figueiredo (s/d) explica que as concepções de Bandura se mostram eficazes na prática clínica, sobretudo na extinção das fobias de diversos tipos, portanto, as técnicas passam a ser aplicadas também em salas de aula, indústrias e em campanhas publicitárias. Isso porque a teoria e a terapia propostas pelo autor são congruentes às necessidades práticas e discursos da contemporaneidade, que valorizam a aprendizagem e também o meio social.

Aguiar (1998) explica que o aspecto que diferencia a teoria de Bandura, paira sobre a inclusão dos processos de mediação cognitiva, dentre os quais é possível ressaltar os mecanismos simbólicos de auto regulação, a fim de explicar a aquisição de comportamentos sociais, verbais, motores, morais e cognitivos que são considerados comportamentos complexos.

O autor também explica que Bandura crítica, na teoria behaviorista radical, a concepção de esquemas de explanação com base em uma só forma de controle do comportamento, isto é, o reforçamento externo, pois considera que esse negligencia, relativamente, outras variáveis e processos internos e vicários que, em sua concepção, são influentes.

Aguiar (1998) comenta que Bandura também crítica a teoria cognitivista, pois essa preocupou-se de forma exclusiva com os processos internos. Logo, passou a considerar que uma teoria compreensiva do comportamento humano, teria de envolver três fontes de regulação comportamental: o controle por meio dos estímulos, o controle por meio dos processos simbólicos internos e o controle pelas consequências. Sobre essas fontes, o autor complementa dizendo que:

Em muitas situações, dois ou mais destes processos podem operar simultaneamente dirigindo a reatividade. Na maioria das funções de nível superior, as regras implícitas que regulam o comportamento não podem ser definidas apenas em termos de propriedades de estímulos ou combinações de elementos estimuladores, mas, também em função de processos internos componentes do processo de observação (AGUIAR, 1998, p. 65).

Bandura et al. (2008) realizam então o modelo da aprendizagem social, por meio das etapas do processo de observação, que se classificam como: aquisição – cujo aprendiz observa o modelo e reconhece as características que diferenciam sua conduta; retenção – as respostas do modelo passam a se armazenar de forma ativa na memória; desempenho – uma vez que o aprendiz aceita o comportamento do modelo como adequado e possível de gerar consequências valorizadas por ele, passará a reproduzi-lo; e, consequência – a conduta do aprendiz será resultante na consequência e fortalecerá ou enfraquecerá esse comportamento.

Os autores explicam ainda que existem alguns fatores que podem facilitar o processo de aprendizagem social. O primeiro deles é a atenção, pois apontam que prestar atenção em determinado modelo é importante para gerar a aprendizagem social, com ênfase posta sobre a atenção deliberada e calculada que encaminhará ao nível máximo de aprendizagem. Ainda que isso não signifique, necessariamente, que a aprendizagem não ocorrerá em maior ou menor nível tomando como base a atenção acidental ou inconsciente que for empreendida.

Bandura et al. (2008) explicam que o segundo facilitador da aprendizagem social é a memória, pois observam que o que é observado deve ser processado pelas memórias de curto e longo prazo, para ser então armazenado. Quando o conhecimento é armazenado na memória, o sujeito não encontrará problemas para recuperar as capacidades e informações quando precisar delas.

Portanto, comentam que a observação tem como finalidade fazer com que o observador seja capaz de reproduzir o comportamento apresentado pelo modelo. Isso somente terá êxito caso a observação for cuidada e processada pela memória. Exceto se o observador se lembrar do que observou, não conseguirá reproduzir o comportamento observado.

O próximo facilitador conforme Bandura et al. (2008) são as capacidades motoras, pois uma ação deve ser aplicada e praticada após ser observada, caso o sujeito seja capaz de aplicar e praticar. Na ótica dos autores, em determinadas situações, um ensaio somente pode ser adequado para a reprodução de um comportamento observado, enquanto a prática pode ser necessária. Essa máxima pode ser verdadeira, especialmente para atividades como: dirigir, digitar, desenhar, ler e escrever.

Dessa forma, os autores apontam que, para que um comportamento observado seja efetivamente reproduzido de maneira perfeita, é necessário praticar. Por exemplo, em um processo de ensino, não somente o educador deve demonstrar como determinada ação é efetuada, mas permitir que os aprendizes executem por si mesmos a ação, quantas vezes forem necessárias para que dominem-na.

O próximo facilitador, segundo Bandura et al. (2008) é o reforço, que tem papel preponderante na aprendizagem por observação. Pois se o modelo é recompensado por um comportamento, a possibilidade desse comportamento ser imitado é maior, uma vez que o observador compartilha e recompensa o modelo vicariante. Ao passo que, se o modelo é punido por um comportamento, o observador também é punido de forma vicariante e, consequentemente, terá possibilidades menores de reproduzir esse comportamento.

A identificação também é classificada como facilitador, pois consiste em um processo em que o sujeito se identifica com o comportamento, atitudes, sistema de valores e crenças de outrem. Geralmente essa identificação ocorre com grupos que fazem parte do círculo social e dos espaços de convivência do indivíduo, de modo que a identificação faz com que o sujeito desenvolva uma filosofia de vida que passa a orientar suas decisões e comportamento.

Bandura et al. (2008) apontam que o afeto modelo-sujeito também é um facilitador, cujo estudo dos autores foi enfocado especialmente nas relações entre pais e filhos, de forma que observaram que os comportamentos dos pais passam a adquirir valor para reforçar de forma positiva e secundária aos olhos dos filhos, dada sua relação frequência com a experiência de gratificação.

O próximo facilitador elencado pelos autores é a semelhança entre modelo-sujeito, tal similaridade que é inscrita em uma teoria cognitiva de imitação, um sujeito que se percebe como partilhador de uma mesma característica de outro, fazendo com que essa característica se associe a outra, seja qual for, o que termina por fomentar que o sujeito também possui as duas características que observa no outro.

Bandura et al. (2008) apontam então o estatuto do modelo como elemento facilitador, pois na teoria da aprendizagem social, as pessoas com estatuto elevado e capazes de recompensar ou punir, são modelos adequados. Logo, os pais são bons modelos para os filhos, especialmente na primeira infância. Enquanto que, na idade escolar, geralmente o professor será o modelo mais adequado, porém, ainda que esses agentes sirvam como modelos importantes, os autores ressaltam que o desenvolvimento da personalidade do indivíduo também é considerado.

Finalmente, os autores comentam que o último facilitador é um modelo norteador, cujo comportamento notado em um modelo, como carinhoso, amigo, cuidadoso, possivelmente será mais copiado do que modelos indiferentes e descuidados. De forma que há uma crença de que os indivíduos aprendem de forma mais efetiva com professores mais autoritários, o que os autores não consideram positivo, mas defendem que professores carinhosos e empáticos, tendem a desenvolver uma atitude mais positiva nos alunos. Portanto, os autores sintetizam que:

A teoria social cognitiva adota a perspectiva da agência para o autodesenvolvimento, adaptação e mudança. Ser agente significa influenciar o próprio funcionamento e as circunstâncias de vida de modo intencional. Segundo essa visão, as pessoas são auto organizadas, proativas, autorreguladas e auto reflexivas, apenas produtos dessas condições (BANDURA; et al., 2008, p. 15).

Aguiar (1998) finaliza dizendo que na aprendizagem social-cognitiva, os observadores não são passivos, somente registrando e armazenando informações de forma indiscriminada, mas sim, assumem uma posição ativa na interação com o meio observado. Aponta que na modelação superior, é possível que ocorram respostas criativas, conforme as condições que são fornecidas e oportunidades criadas para a observação do comportamento de modelos heterogêneos.

3.      CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando os achados teóricos da pesquisa empreendida para compor esse artigo, foi possível notar que a prática escolar convencional e contemporânea, demanda da concretização de condições de viabilização da aprendizagem, a fim de garantir a realização do trabalho de professores. Tais condições se encontram calcadas em condicionantes de cunho psico-sócio-políticos que formatam questões de inteligência, conhecimento, indivíduo e sociedade.

Portanto, tais condicionantes, agregados a pressupostos diferentes sobre o papel da escola, a aprendizagem, as relações professor-aluno, os recursos de ensino, métodos pedagógicos, etc., são altamente influentes e passam a ser doutrinadores da didática utilizada em sala de aula. Sendo assim, os programas educacionais de diversos tipos, possuem de forma implícita ou explícita – ou ainda no uso educacional que deles se faz – as premissas teórico-metodológicas de tais condicionantes.

Ao considerar a teoria da aprendizagem social de Albert Bandura, é possível notar que o psicólogo cognitivo tratou de proporcionar uma caracterização dos elementos intrínsecos e extrínsecos que envolvem os processos de aprendizagem humana. Com uma natureza descritiva que se apresenta em um esquema de síntese, descrevendo os determinantes comportamentais.

Sua teoria objetiva configurar um quadro que justifique todos os fatores influentes em determinado comportamento e não, de forma prioritária, é explicar os processos envolvidos nisso. As pesquisas de Bandura sobre a aprendizagem por observação, se referiram de forma mais precisa ao comportamento agressivo. Pois esse tipo de comportamento demonstrou a importância dos modelos reais e simbólicos na evocação de pautas imitativas para a agressão.

Também promulgou em seus estudos que, crianças expostas a situações agressivas, não somente possuem comportamento imitativos agressivos, isto é, reproduzindo comportamentos observados – sobretudo em comparação a crianças expostas a modelos não-agressivos – mas também são crianças que tendem a apresentar um número maior de respostas agressivas não observadas no modelo.

Nesse sentido, a teoria de Bandura centraliza a importância nos processos vicários simbólicos e auto regulatórios. Tais fenômenos de aprendizagem que resultam das experiências diretas, poderiam acontecer também dada uma base vicariante, isto é, por meio do ato de observar os comportamentos e experiências de terceiros e suas respectivas consequências.

Um exemplo disso é que, quando uma criança aprende a falar observando as pessoas ao seu redor, outra pode aprender a nadar por meio do registro que faz dos movimentos de um professor de natação, enquanto que uma terceira se inicia nas artes, imitando os gestos de um professor. Contudo, se as consequências do comportamento desse modelo seguido forem negativas, possivelmente o observador não tomará essas observações e modelos como parâmetros para seu próprio comportamento.

Essa ideia se dá no fato de que a teoria de Bandura admite a importância do pensamento no controle dos comportamentos humanos. O pensamento, por seu turno, é fomentado como uma ferramenta adaptativa que eleva a capacidade de enfrentamento do sujeito ao ambiente que o envolve, de forma eficaz, já que possibilita que haja uma representação e uma manipulação simbólica dos acontecimentos e suas inter-relações.

Essas representações decorrem ainda da abstração de propriedades que são comuns em objetos e fatos, possibilitando a economia da organização de ação adaptativa, ao mesmo passo em que permite uma generalização de tal ação em contextos distintos.

Em síntese, foi possível constatar que a teoria da aprendizagem social, ou teoria social cognitiva de Bandura, contribuiu grandemente com a educação, pois tratou os educadores enquanto parte preponderante na construção do indivíduo, pois são eles agentes sociais tanto para a formação do sujeito quanto para a construção da aprendizagem. Isso porque servirão de modelos para que os alunos, por meio da cognição, incorporarem e imitarem os comportamentos que encararem como experiências positivas e com resultados benéficos.

Concluindo, é possível entender que o objetivo geral e os específicos apresentados foram atendidos, bem como a problemática de pesquisa foi respondida. Porém, não havia intenção de esgotar ou traçar respostas conclusivas e definitivas para uma temática de tamanha subjetividade e com um importante processo de aprofundamento pela frente. Um primeiro passo para a ampliação do conhecimento foi dado, podendo ser ampliado em futuras oportunidades.

 

REFERÊNCIAS

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VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo: Atlas, 1997.



[i] Professor das disciplinas de Contabilidade Aplicada, Demonstrações Contábeis e Contabilidade de Custos da Faculdade de Talentos Humanos – FACTHUS, professor das disciplinas de Matemática Financeira e Contabilidade e Finanças do Colégio Nossa Senhora das Dores – Projeto Encantos Dominicanos, aluno do Programa de Mestrado em Educação da Universidade de Uberaba - UNIUBE

 


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